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Cartão Mesada

Jornal DCI - Antonio Perez
Jovem aprende finanças em conta-gotas
Tema de educação financeira torna-se cada vez mais presente nas famílias

Adolescentes e jovens estão na mira dos bancos. Cartões de débito e crédito, contas correntes especiais, cheque especial e empréstimo pessoal - todos os instrumentos financeiros antes resguardados aos adultos agora estão à disposição de um público a partir de 12 anos. Com o tema da educação financeira tornando-se cada vez mais presente, muitos pais têm se entusiasmado com as ofertas das instituições e muitas vezes aderem sem maior reflexão aos serviços oferecidos. Afinal, esses novos instrumentos são algo positivo ou não para as finanças dos adolescentes jovens? Mais: eles estão preparados para lidar com o crédito de maneira saudável?

Para Eduardo Silva, consultor e proprietário da Excelènce finanças, os instrumentos financeiros podem beneficiar os jovens apenas se forem acompanhados de educação financeira. " Mudaram apenas os métodos de transferência de recursos, mas não o conceito de responsabilidade no uso do dinheiro que tem de ser passado aos jovens e adolescentes", afirma o especialista. Os instrumentos financeiros têm de ser introduzido de forma gradativa. No caso dos adolescentes, o cartão de débito e crédito pode começar com pequenos valores, para pagar transporte até a escola, alimentação e consumo de ítens de baixo valor. Essa primeira fase, vai proporcionar ao adolescente um primeiro contato com os limites orçamentários que irá enfrentar mais para a frente. Em seguida pode-se repassar ao jovem o dinheiro para o pagamento de algumas obrigações, como a mensalidade de um curso de inglês. Isso dará uma noção mais exata de quanto custam os benefícios de que a pessoa desfruta. O consultor acredita que o monitoramento da utilização do cartão é imprescindível nos primeiros meses. Afinal, os pais não podem ser surpreendidos pela inadimplência do filho, que certamente causará estragos no orçamento doméstico.

Ao passar paulatinamente responsabilidades ao adolescente, os adultos vão formar jovens mais bem educados do ponto de vista financeira. Os reflexos serão sentidos quando eles desejarem morar por conta própria e se depararem com gastos mensais fixos e a necessidade de poupar para investimentos. Muitos especialistas alertam que a mesada associada apenas a gastos supérfluos pode fixar no inconsciente do adolescente que o dinheiro está sempre relacionado com o consumo, e não com obrigações, e, sobretudo, com investimentos. Feitas as ressalvas, os pais e jovens devem pesar o custo-benefício do serviço de cada instituição. Na Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, há o cartão mesada, para crianças a partir de 12 anos com limite de R$ 500 por mês para quem tem até 15 anos de idade. Adolescentes entre 12 e 17 anos podem utilizar um cartão da Credicard, chamado de Credicard One. Além de fixar um limite para as despesas, os adultos podem acompanhar a movimentação financeira do filho por meio de extratos mensais ou pela internet. Também é possível alterar o limite do cartão para cima ou para baixo por telefone. No Banco do Brasil, adolescentes e jovens adultos, com idades que variam entre 12 e 21 anos incompletos podem abrir uma conta corrente e utilizar o cartão de débito da rede Visa Electron.

Em um serviço chamado de Mesada programada, em que o dinheiro é transferido automaticamente da conta corrente dos pais para os filhos em uma data predeterminada . Para tampar eventuais rombos na conta do menor, o pai pode dar autorização para que jovem faça uma transferência se necessitar. O perigo de adiantar a mesada, seja repassada ao filho em dinheiro vivo ou por meio de cartões de débito e crédito, é criar um adulto sem limites e noção de poupança. A possibilidade de recarregar o cartão deve ser encarada, portanto, com muita cautela. Não se pode passar ao jovem a idéia de que é só ir ao banco para conseguir mais dinheiro. " É importante passar o conceito de administração do dinheiro entre uma mesada e outra. Caso contrário, pode-se estimular o adolescente e o jovem a contrair dívidas para financiar compras" explica Ricardo Humberto Rocha, professor do Ibmec São Paulo e co-autor do livro Esticando a Mesada. O adolescente educado financeiramente será um jovem apto a lidar com as vantagens de crédito oferecidas pelas chamadas contas universitárias. Na lista de benefícios, está um dos vilões do crédito entre os adultos: o cheque especial. Os bancos costumam oferecer linhas de até R$ 800. Os juros, no entanto, não são menores do que o cobrado de adultos e figuram entre os mais altos do mercado (entre 8% e 12% ao mês). Há também a possiblidade de obter um empréstimo pessoal, com taxas mensais de cerca de 5%. Em contrapartida, o jovem pode se beneficiar muito da redução das tarifas, como no Banco Universitário, do Santander Banespa, que cobra entre R$ 1 e R$ 3 para manutenção da conta corrente. "Uma pessoa que tenha aprendido a utilizar estes instrumentos financeiros, como cartão de crédito e débito, de forma saudável vai ser um jovem mais responsável quando puder ter uma conta universitária, por exemplo", diz Eduardo Silva.


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