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Bônus do Tesouro é opção para aplicador ganhar com juro alto
 DC I - Seu Dinheiro Título lançado ontem é voltado para o mercado externo, mas pode ser comprado por brasileiros interessados em diversificar seus investimentos e nos juros elevados oferecidos. A aquisição pode ser feita por bancos ou via fundos de investimento que aplicam em títulos da dívida pública. O bônus tem baixo risco porque o cenário externo mostra elevado nível de liquidez e o País transmite confiança ao mercado.
Os bônus do Tesouro lançados ontem pelo Brasil, embora sejam destinados prioritariamente aos investidores do exterior, podem ser uma oportunidade também para os aplicadores do País. O principal atrativo são os juros: o Brasil tem a maior taxa entre os países emergentes (6,20%) e uma perspectiva de risco declinante. Levando em conta esse cenário e a alta liquidez, o Tesouro Nacional concedeu mandato para a reabertura do bônus da República denominado Global 2017, em dólares, que serão emitidos nos mercados europeu e norte-americano, podendo também ser lançados na Ásia.
“Quem comprar esse título deverá ganhar com a queda da taxa dejuros”, afirma o vice-presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), Keyler Carvalho Rocha.
Com a emissão do bônus, o Brasil pretende melhorar sua performance no cenário internacional, que tem se estabilizado após recentes oscilações. Mesmo o mercado imobiliário americano, que vinha preocupando os investidores, está mais otimista com novos dados. A Associação Nacional dos Corretores de Imóveis informou ontem que o índice de vendas pendentes de imóveis teve uma alta anualizada de 0,7%, para 109,3 pontos em fevereiro, contra 108,5 de janeiro.
“É uma boa oportunidade de lançar mais títulos. Este é mais um fato que se soma a outros para que o Brasil ganhe o nível de investimento”, diz Keyler.
A taxa de risco-País cedeu ontem 0,60%, e chegou a um novo patamar histórico de 165 pontos. Há projeções de que se chegue a um valor entre 100 e 110 pontos no curto prazo.
Segundo Keyler, a maior preocupação para o investidor não devem ser as oscilações externas, mas o cenário interno. “Com o novo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) a dívida interna caiu, mas continua
elevada. Se osjuros caíreme ogoverno conseguir superar o superávit primário às custas dos juros, será bastante positivo”, diz.
Como aplicar
De acordo com o economista-chefe do Departamento de Análises da CMA, Luiz Rogé Ferreira, existem duas formas de se comprar o bônus: através de bancos ou via fundos de investimento que negociam títulos da dívida pública. “Esses títulos, em geral, são voltados para o investidor estrangeiro, mas nada impede que o aplicador local os compre”, afirma. “Desde que a pessoa tenha dinheiro para mandar ao exterior e adquirir os papéis por meio dos bancos que negociam não há problema”, completa.
No entanto, antes de apostar nesses papéis, o investidor deve se lembrar que há a chance de comprar títulos da dívida pública no próprio Brasil pelo site do Tesouro Nacional. A rentabilidade para os papéis com vencimento em 2007é de 11,71% ao ano, enquanto a do bônus da República é de aproximadamente 6,2% somado às expectativas de volatilidade do câmbio.
“Como é um título com vencimento em dez anos, as previsões ficam dificultadas porque além de ser um longo prazo,envolve fatores externos”, afirma.
Na opinião de Eduardo Silva, diretor executivo da Excélence Finanças Pessoais, esta aplicação pode ser uma oportunidade interessante. “É uma opção de diversificar a carteira de investimentos, porque pode apresentar uma chance de ganhos, aliada a uma expectativa de risco menor”, diz.
Em novembro de 2006, o Brasil lançou o Global 2017, e emitiu o equivalente aUS$ 1,5 bilhão, com taxa de retorno de 6,249% ao ano para o investidor. Na última captação externa, no dia20 de março, o Tesouro lançou títulos em reais com vencimento em 2028.
Em operação comandada pelos bancos Citigroup e Barclays o País captou R$ 750 milhões no exterior, o equivalente a US$ 361 milhões, com a menor taxa de retorno conseguida até aqui nas operações em moeda local: de 10,28% ao ano para o investidor.
As emissões de títulos da Dívida Pública Federal (DPF) em fevereiro foram de R$ 42,5 bilhões, segundo relatório mensal da DPF, que foi divulgado dia 28 de março pelo Ministério da Fazenda.
O dólar tem sofrido sucessivas desvalorizações em 2007, chegando até a R$ 2,04 no final de março. Especialistas acreditam que a moeda deve fechar o ano pouco acima de R$ 2.
Beatriz Salles
Wellington Miyazaki
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